Filhos Rebeldes‏

Como evitar o comportamento anti-social em seu Filho

É de pequeno que se torce o pepino diziam nossos avós, quando tentavam passar as normas sobre educação assimiladas de seus ancestrais. Implícita a esta regra estavam palmadas, os castigos, as surras e até mesmo punições mais severas aplicadas pelos pais, quando estes entendessem que seus filhos mereciam. Não se questionava se o rigor da punição aplicada pelo pai tinha real eficácia na mudança de comportamento dos filhos. Era comum o entendimento de que a autoridade estava relacionada á severidade das punições, sendo assim, não havia muitas "conversas". Os maus comportamentos eram punidos.

Os pais que não corrigiam os erros do filhos eram considerados "molóides" e responsáveis pelos fracassos dos filhos, diziam: "aquele não deu em nada, também os pais não souberam educar, eram fracos".

Hoje em dia, a tônica da educação recaiu sobre o "conversar", substituindo o "punir". Os pais conversam em lugar de punir. Os pais conversam sobre os maus comportamentos, sobre os erros, sobre as desordens dos quartos, sobre notas baixas, e etc. Os filhos respondem, discutem, conversam.

Aparentemente, em apenas meio século, o que aqui se observou foi uma mudança de um extremo ao outro, em apenas uma geração para outra. Os valores mudaram completamente.

Antes se punia, agora se conversa. Antes se punia para manter a autoridade, hoje se conversa para manter a amizade.

Percebe-se hoje que é mais importante para os pais ter a amizade dos filhos do que ter autoridade em casa. Quando, no entanto, desejam ser figura de autoridade, e não conseguem, se desesperam.

A importância das Regras

Devemos sim estabelecer regras. Estas regras devem ser criadas para permitir um relacionamento adequado entre os membros da família, para que os valores e hábitos daqueles que convivem em um determinado lugar sejam respeitados.
Compreendido que é preciso se criar regras, um segundo passo a ser enfrentado é o de como se estabelecer estas regras. Deve-se gerar poucas regras, que sejam flexíveis e possíveis de serem cumpridas. Os pais não devem criar muitas regras, rígidas e complexas. Quando se criam regras em excesso, os filhos, por saturação, deixam de prestar atenção á grande parte delas, e ignorando-as.

Quando os pais, sucessivamente, descumprem as regras por eles estabelecidas, ensinam aos filhos três atitudes indesejáveis:

1. que as regras não são para serem cumpridas.

2. que a autoridade dos pais pode ser desrespeitada, além de (3.) ensinar a manipulação emocional. Essta aprendizagem terá sérias consequências para a vida futura da criança ou do adolescente. Aprender que as regras são feitas e podem ser descumpridas leva estes jovens a não aceitar normas sociais.

Este tipo de prática educativa tem efeitos desastrosos. Infelizmente, são encontrados muitos jovens com comportamento anti-social, cujos pais sistematicamente fazem regras e as descumprem e usam a ameaça como prática educativa. È importante que observem que como a ameaça é ineficaz. Os filhos somente obedecerão caso a ameaça venha a ser seguida pelo castigo prometido. Somente neste caso eles serão capazes de relacionar o "comportamento inadequado" com o "castigo" e, então, para se livrar do castigo, mudam o comportamento indesejável.

Os pais devem estabelecer o castigo (retirada de um privilégio) sem demonstrar raiva ou ódio. O comportamento indesejado deve ser punido e não a criança. Muitos pais privam a criança de comer, ir no banheiro e até mesmo negam carinho, isso só provoca revolta nas crianças e não busca o correto que é justamente a compreensão de ter agido erradamente.
Quando mostramos ódio, estamos informando a criança que a reprovamos e não ao seu comportamento.

A criança deve saber exatamente o que ela deve mudar, o que os pais esperam dela. Dar informações confusas, geram atitudes instáveis nas crianças. Se, ao aplicarmos um castigo, usamos frases como "você vai ficar no quarto, porque não quero ver a sua cara", "odeio você", "preferia que não tivesse nascido", os pais não estão tentando corrigir o comportamento indesejado, e sim estão despejando seu ódio sobre o filho.

O filho recebe o ódio e não sabe o que fazer para atender às expectativas dos pais. A criança não conseguirá lidar com esse sentimento e passará a ser mais agressiva, agredindo os coleguinhas na escola, ou mesmo entrando em depressão.

Supervisão estressante

A supervisão estressante caracteriza-se pela exagerada vigilância ou fiscalização dos pais em relação aos filhos e pela alta frequência de instruções repetitivas. Telefonar a cada hora para o filho para verificar se ele está mesmo na casa do amigo, escutar telefonemas, ler o diário, etc, São situações que revelam a supervisão estressante.

Inicialmente, este tipo de procedimento educativo demonstra quão ineficaz está sendo a educação realizada pelos pais.

Os filhos percebem a desconfiança dos pais e passam a tentar escapar da fiscalização: mentem. desligam o telefone celular, escondem os objetos pessoais, conversam baixinho e etc.

Os filhos ficam irritados e agressivos, pois querem ter liberdade e privacidade e sentem-se prejudicados pela falta de confiança dos pais.

O humor instável

Quando aplicamos uma punição ao nosso filho, em função do nosso estado de humor e não em função do mau comportamento executado pela criança, estamos ensinando-lhe a discriminar nosso humor e não o mau comportamento ocorrido.

Discriminar o estado de humor dos pais não ajuda a criança a aprender valores e nem o que é certo ou errado. Crianças e adolescentes que vivem sob este tipo prática educativa não sabem quais os comportamentos desejados pelos pais.

Quando os pais castigam sob efeito de forte emoção, muita raiva, por exemplo, via de regra, arrependem-se assim que a raiva passa. Nestes casos, muitas vezes, pedem desculpas ao filho, sentindo pena da criança. Novamente a criança aprende que neste momento chantagear emocionalmente os pais é vantajoso.

Finalmente, os pais não devem abrir mão do seu dever de serem bons modelos e de transmitirem seus valores morais aos filhos. Precisam, no entanto, para isto, mostrar que seus exemplos merecem ser seguidos e que as crianças terão orgulho em fazê-lo, caso contrário, estarão buscando na televisão, nos super-heróis, os modelos de sucesso para seguir e admirar.

Espero que essa matéria possa ser útil aos pais, futuros pais e professores.

Paz e muito amor com seus Filhos! Não deixem Deus fora de seus lares!

Fonte: Livro: Coerção e suas implicações, de Murray Sidman, Editorial Psy II, 1995.

1 Comentário:

Elaine disse:

Excelente artigo! Apresenta boas orientações para educação de crianças e adolescentes, semelhantes as orientações encontradas no livro "Disciplina: Limite na Medida Certa" de Içami Tiba. No livro ele relata que os pais 'modernos'não gostam de contrariar seus filhos, tentando poupá-los de qualquer situação desagradável e com isso cometem o erro de não estabelecer limites. Recomendarei a leitura desse post para várias amigas professoras, pois será uma ótima complementação de estudos sobre educação. Abraços

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