Hipocondria? O que é?

Trata-se de uma interpretação errônea de sensações corporais corriqueiras, que são percebidas como anormais, levando ao medo e à crença de se estar gravemente doente. A atenção é geralmente voltada para um ou dois órgãos ou sistemas do corpo. Embora atualmente seja categorizada como uma entidade clínica separada (F45.2 da CID-10), sabe-se que sintomas hipocondríacos existem também em outros quadros psiquiátricos (depressão, por exemplo) ou mesmo como um traço de personalidade presente em maior ou menor grau na população geral.

Os sintomas não estão sob controle voluntário, nem o paciente conhece os possíveis benefícios derivados dos sintomas. Os psiquiatras e médicos também reconhecem que uma hipersensibilidade congênita pode ser fator de predisposição à hipocondria.

Quais são as causas?
Nesse complexo campo é mais adequado falar em mecanismos de formação de sintomas do que propriamente em causas específicas. É sugerida uma etiologia multifatorial.A amplificação das sensações corporais, uma atenção exacerbada sobre sensações corporais geralmente comuns, é um dos mecanismos freqüentemente mencionados. Outro mecanismo é o da “necessidade de ser doente”. Haveria um apego ao papel de doente, que confere aos pacientes uma certa identidade (a de doente), além de diminuir expectativas antes depositadas neles e possibilitar algumas vantagens, o chamado ganho secundário.Mecanismos masoquistas, ligados a sentimentos inconscientes de culpa e a um certo orgulho de suportar o que poucos suportariam, também estão presentes.Fatores biológicos (como, por exemplo, os genéticos), embora ainda não se tenham dados precisos, são também aventados.

Como a pessoa hipocondríaca age?
O medo e a preocupação constante com a possibilidade de ter determinada doença orgânica grave são os sintomas básicos dos hipocondríacos. Em outras palavras, acham que há alguma coisa errada dentro deles (de seus corpos), o que produz um grande sofrimento. Tendem a procurar serviços médicos freqüentemente, consultam-se com inúmeros especialistas, embora não se convençam com as explicações que esses lhes dão, continuando assim suas peregrinações. Querem fazer exames, acreditando que algum deles revelará finalmente o seu mal. E são apegados a remédios, os quais conhecem a fundo, embora muitas vezes tenham receio de utilizá-los. Muitos passam a viver em função dos serviços de saúde.

Em termos do funcionamento mental, freqüentemente ocorrem vivências persecutórias, o que fez com que o quadro fosse chamado de “paranóia das vísceras”.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito basicamente por meio da história clínica do paciente, do relato dos sintomas e comportamentos descritos acima, não existindo exames laboratoriais específicos que confirmem o diagnóstico.

Para que se configure o diagnóstico de hipocondria, o quadro deve ter uma repercussão importante na vida do paciente, ou seja, deve causar sofrimentos e limitações consideráveis. Isso porque alguma dose de cuidado com o próprio corpo é essencial para a sobrevivência, deve-se levar em conta os sinais do corpo. O problema é quando isso passa a predominar na vida de alguém.

Há prevenção?
É difícil apontar para uma prevenção específica. Entretanto sabe-se que a história de vida contribui no surgimento do quadro. Famílias em que as questões de doenças predominam, por exemplo, naquelas com pessoas com doenças crônicas graves que vivem em função disso, famílias que valorizam o corpo em seus mínimos detalhes (como ideais de beleza e perfeição), facilitam o quadro.Outra questão é a cultural. Vivemos uma época que privilegia a beleza corporal, como a grande procura por cirurgias plásticas estéticas demonstra. O corpo, assim, ganha um relevo especial, e para algumas pessoas passa a ser o centro de suas vidas.

Há tratamento?
Sim, embora dificultado pela falta de reconhecimento do paciente da necessidade de tratamento psíquico e, portanto, do atendimento com psiquiatras e psicólogos. A psicoterapia é fundamental. Não há medicação específica para a hipocondria, mas sim para alguns sintomas associados. Os antidepressivos são úteis em alguns casos, assim como os ansiolíticos (“calmantes”) em outros.

3 Comentários:

menteinquietaprocuraresposta disse:

Muito bom esse seu artigo!
Fiquei impressionada como eu era ignorante em relação a esse assunto.
Obrigado pela visita, pelos esclarecimentos aqui prestados.
Vou mandar para meu Twitter!
Um abraço,
Questionadora

Professora Ismaelita disse:

Ola Ivan! vim retribuir a visita,obrigada gostei do blog estará entre os favoritos. Interessante o post ,aprendi muito a paz querido!

Ivan Ferreira disse:

Obrigado Questionadora e Ismaelita !

È sempre uma honra telas aqui, obrigado pelo carinho !

Deus abençoe vcs !

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